3 min | 23/03/2026 | Matéria
Algumas entrevistas começam como pauta técnica e terminam como presente. Chegamos ao Sr. Carlos Giobbi durante a entrevista sobre a instalação do grupo gerador Cat, no Condomínio Residencial Cidade Jardim. Na conversa com o engenheiro Fábio Tavares, responsável pelo projeto, ficou claro: havia uma pessoa que não apenas apoiou a instalação, mas o incentivou com convicção. “Pode confiar. É Cat.”
No ano em que a Sotreq celebra 85 anos, encontramos em Carlos não apenas um cliente, mas a história viva da construção brasileira e um personagem que carrega no peito o que ele mesmo define como “sangue amarelo”.

Carlos não só escolheu as máquinas. Ele nasceu entre elas.
Filho de Domingos Giobbi, fundador da Construtora Giobbi S.A., e sobrinho de Franco Giobbi, da Companhia Construtora Brasileira de Estradas, ele cresceu em meio a obras rodoviárias, pavimentações e grandes projetos de infraestrutura.
“Do que me lembro, eu já nasci metido em máquina, metido em barro, metido em terra.”
O pai o levava para os canteiros ainda criança. Lá, Carlos subia nas máquinas, observava operadores e começava a desenhar o que seria seu futuro.
A construtora da família participou de obras marcantes em São Paulo, incluindo pavimentações na USP e projetos ligados ao antigo DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem). Nas décadas de 60, 70 e 80, Carlos viu de perto a expansão rodoviária do país e viveu o que chama de “os anos de ouro” da infraestrutura brasileira.
Formado em Engenharia Civil em 1969, Carlos não foi um engenheiro de escritório. Foi engenheiro de campo, de bota suja e oficina aberta.
Aos 19 anos trabalhava no depósito central da empresa da família. A rotina incluía desmontar motores, retificar peças, acompanhar manutenção pesada de tratores e motoniveladoras.
“Motor de D8, de motoniveladora 12E, a gente fazia de brincadeira. Desmontava, montava, retificava virabrequim”, lembra Carlos.
Ele fala com precisão técnica sobre tratores D6, D8, D9, carregadeiras 966C, motoniveladoras 12E, motoscrapers 637 e 657, sistema push-pull, tratores pusher 824 e 834. Cada modelo vem acompanhado de contexto histórico e memória afetiva.
Mesmo tendo operado motoniveladoras em momentos pontuais, ele admite:
“Eu sempre gostei, mas nunca subi num motoscraper.”
Ao falar dessa grande máquina, surge o sentimento de admiração e reconhecimento de sua imponência:
“Um pneu de motoscraper é mais alto do que uma pessoa normal. Impõe respeito.”

Quando perguntado sobre o diferencial da marca, a resposta vem imediata e sem hesitação:
“Caterpillar é o top.”
Ele reconhece bons concorrentes em áreas específicas, mas aponta aquilo que considera determinante nas máquinas Cat:
“A facilidade de encontrar peça, o sistema de atendimento… aí a Caterpillar ganha. Não tem conversa.”
Fica evidente que não se trata apenas de preferência comercial. É confiança construída em décadas de convivência com os equipamentos.

“Me arrependo de não ter participado das vendas de equipamentos rodoviários. Eu conheço equipamento Caterpillar a fundo. Só não consegui trabalhar na Lion porque não tinha fluência no inglês.”
Quando falamos da Sotreq, o tom se mantém entusiasmado:
“Sotreq nota 10. Vocês são campeões.”
Para ele, a estrutura de suporte sempre foi um diferencial decisivo, e foi exatamente essa confiança acumulada ao longo de décadas que o levou a incentivar a instalação do grupo gerador no Condomínio Cidade Jardim, onde mora.

Carlos menciona com orgulho sua coleção: cerca de 60 miniaturas na escala 1:50, todas fiéis às máquinas reais. Cada uma representa uma época, um projeto e uma memória.
Ele guarda também fotografias originais das décadas de 1950 e 1960. Registros em preto e branco de máquinas em operação, incluindo uma motoniveladora 12E e uma 966C trabalhando em britagem com proteção especial de pneus.
Entre motores e esteiras, existe também outra paixão: a bicicleta.
Carlos é ciclista ativo e, ainda hoje, pedala quatro vezes por semana. Assiste religiosamente ao Tour de France, Giro d’Italia e Vuelta da Espanha.
Quando provocado:
“E se existisse uma bicicleta Caterpillar?”
Ele responde sem pensar:
“Eu compraria cem.”
Ao compartilhar sua história, Carlos não fala apenas de equipamentos. Ele fala de legado e da disciplina herdada do pai. De responsabilidade técnica e do orgulho por ter vivido um período decisivo da engenharia brasileira.

Celebrar 85 anos da Sotreq é celebrar também personagens como Carlos Giobbi.
Pessoas que cresceram junto com as máquinas, que conhecem, tecnicamente, cada detalhe e que defendem com propriedade.
Carlos foi uma grata surpresa. Surgiu como fonte para uma pauta técnica e revelou-se um guardião da memória da terraplenagem brasileira e um admirador declarado da Cat e da Sotreq.
Esta matéria faz parte de uma série especial sobre os 85 anos da Sotreq. Fique de olho nas próximas publicações ou acesse as matérias abaixo e continue essa jornada.
*As imagens aqui representadas fazem parte do acervo do Sr. Carlos Giobbi.
Imagens 1 e 4: Motoniveladora Cat 12E, Anos 1960, Construtora Giobbi
Imagens 2 e 5: Coleção de miniaturas na escala 1:50
Imagem 3: Sr. Carlos Giobbi na entrega do grupo Gerador Cat em seu condomínio. Obra: Areté Engenharia