3 min | 06/07/2026 | Matéria
Quando, em 2022, a Construtora Barbosa Mello iniciou as operações através das cabines Cat Command, foi dado o start em uma jornada que ajudaria a redefinir a forma de operar equipamentos pesados em ambientes de alta complexidade. O que começou como uma aposta em segurança e produtividade evoluiu para um modelo capaz de transformar a rotina de trabalho, a qualificação profissional e posicionar a empresa como uma referência global em teleoperação.
Hoje, a construtora é reconhecida como uma das maiores usuárias do Cat Command no mundo, em quantidade de equipamentos e operações simultâneas, consolidando um projeto que segue abrindo novos caminhos para a mineração e para outros segmentos da infraestrutura.
A trajetória teve início nos projetos de descaracterização de barragens, tema abordado pelo Portal Elo em 2024. Desde então, a evolução da tecnologia e da própria operação permitiu à empresa alcançar novos patamares de desempenho, expandindo o uso da solução e ampliando seus benefícios para além do canteiro de obras.
Segundo Guilherme Bechara, gerente de soluções em engenharia da Construtora Barbosa Mello e um dos líderes do projeto, os primeiros resultados deixaram claro que a empresa estava diante de uma oportunidade de transformação.
“Logo nos primeiros testes de homologação, percebemos rapidamente um aumento de 30% em relação ao número de produtividade que tínhamos almejado”, afirma.
A integração entre o Cat Command e as máquinas Caterpillar de nova geração, equipadas com tecnologias como Grade 3D, permitiu que a empresa atingisse índices de produtividade equivalentes aos de uma operação convencional.
“Hoje operamos com os mesmos índices de produtividade na linha amarela como se o operador estivesse dentro da máquina”, destaca Bechara.
Os avanços não ficaram restritos ao desempenho operacional. Em um dos projetos, a operação chegou a registrar 37 equipamentos teleoperados simultaneamente na mesma rede, um marco que colocou a Barbosa Mello em evidência dentro do ecossistema global da Caterpillar.

Para Luis Henrique Ragonezi, especialista responsável pela área de telecomunicações da empresa, esse resultado foi consequência de uma busca constante por inovação e aperfeiçoamento.
“Nós conseguimos chegar a um número de equipamentos e performance que não era comum no mercado. O objetivo sempre foi garantir que o operador tivesse na cabine as mesmas, ou melhores, condições que teria dentro do equipamento”, afirma.
Henrique Rosa, consultor de suporte ao produto da Sotreq, ressalta que o estágio atual do projeto representa um momento diferente daquele vivido durante a implantação. Se no início o foco estava na adoção da tecnologia, agora o desafio é garantir a máxima performance de uma operação altamente conectada.
"Hoje estamos no ápice do projeto, com os equipamentos em plena operação e a solução sendo aplicada em larga escala. É uma rotina diferente, porque não estamos falando apenas de máquinas. Temos redes de comunicação, sistemas de câmeras, softwares e diversos componentes tecnológicos funcionando juntos. Isso aumenta a complexidade, mas também amplia os ganhos que a operação pode alcançar", explica.
Se a tecnologia trouxe ganhos expressivos de produtividade e segurança, ela também provocou a evolução do perfil profissional dos operadores.
Ao longo dos últimos anos, a Barbosa Mello estruturou uma trilha própria de capacitação para preparar profissionais para a teleoperação. O programa combina treinamento técnico, simuladores, conteúdos digitais e acompanhamento contínuo, criando uma nova geração de operadores preparados para atuar em ambientes de alta tecnologia.
Para Bechara, a principal contribuição da inovação está justamente na aceleração desse processo de desenvolvimento. “A tecnologia fez com que a conseguíssemos fazer com que o profissional ficasse melhor, mais rápido.”
Um dos exemplos mais emblemáticos dessa transformação surgiu quando um operador de escavadeira procurou a liderança da empresa durante uma feira do setor. Enquanto trabalhava na operação, ele cursava engenharia e buscava novos desafios profissionais.
A partir dessa iniciativa, a empresa identificou uma oportunidade para aproveitar sua experiência prática aliada à formação acadêmica. Hoje, ele atua como instrutor de operação, contribuindo para a formação de novos profissionais.
O caso é uma prova de que a tecnologia não substitui pessoas, mas cria novos caminhos de desenvolvimento dentro da organização.

A teleoperação nasceu com o propósito de retirar profissionais de áreas de risco, especialmente em projetos ligados à descaracterização de barragens. Com o amadurecimento da solução, outros benefícios passaram a fazer parte da rotina.
Operadores que antes enfrentavam jornadas em ambientes sujeitos a poeira, ruído, vibração e longos deslocamentos passaram a atuar em centros de operação modernos e climatizados.
A mudança também trouxe ganhos de eficiência. O modelo de troca de turnos conhecido como “banco quente” permite que um operador assuma imediatamente a posição de outro, sem interrupção da operação.
Segundo Henrique Rosa, um dos benefícios percebidos ao longo da evolução do projeto foi o aumento da integração entre os profissionais responsáveis pela operação.
"O principal ganho que observamos foi a sinergia criada entre os operadores. Eles estão conectados o tempo todo, compartilhando informações e tomando decisões de forma muito mais rápida. Isso gera ganhos operacionais que muitas vezes vão além dos indicadores tradicionais de produtividade", afirma.
Como exemplo, ele cita situações em que operadores conseguem identificar remotamente possíveis anomalias em outros equipamentos antes mesmo que o problema fosse percebido pelo responsável direto pela máquina, permitindo ações preventivas e reduzindo paradas não programadas.
Outro resultado importante está relacionado à atração e retenção de profissionais.
Em um cenário em que toda a indústria enfrenta desafios para formar operadores qualificados, a teleoperação tem ajudado a tornar a atividade mais atrativa para novos públicos.
A Barbosa Mello tem investido especialmente na ampliação da participação feminina na operação de máquinas pesadas.
“O nosso maior esforço é usar o produto para atrair mulheres para essa indústria nossa”, afirma Bechara.
A possibilidade de trabalhar em centros urbanos, com horários mais previsíveis e sem a necessidade de permanecer em áreas remotas, cria condições que ampliam o acesso de diferentes perfis profissionais ao setor.
Marcelo Branquinho, gerente de comunicação da Construtora Barbosa Mello, destaca que esse é um dos aspectos que melhor representam a evolução do projeto ao longo dos últimos anos.
“Eu consigo enxergar vários elementos da cultura acontecendo ao mesmo tempo. O projeto traz protagonismo, segurança, inovação, desenvolvimento de pessoas e a capacidade de ensinar e aprender continuamente”, ressalta.

Os resultados alcançados pela Construtora Barbosa Mello também refletem uma parceria construída ao longo de décadas com a Sotreq.
Em seus 85 anos de história, a empresa tem participado ativamente da evolução tecnológica do setor, apoiando clientes na implementação de soluções cada vez mais avançadas.
No caso do Cat Command, essa colaboração envolveu muito mais do que o fornecimento de equipamentos. Equipes da Sotreq atuaram e atuam em treinamentos, suporte técnico e transferência de conhecimento.
“A transferência de conhecimento da Sotreq para o nosso time foi fundamental”, destaca Ragonezi.
"A gente deixa de pensar apenas na atividade tradicional e passa a criar novas aplicações para a solução. O Cat Command criou um ambiente muito fértil para a inovação dentro da Barbosa Mello", completa Henrique Rosa.
Essa integração permitiu que a Barbosa Mello participasse inclusive da validação de aplicações inéditas, contribuindo para o desenvolvimento de soluções que poderão beneficiar operações em diferentes partes do mundo.
Agora, a empresa já se prepara para os próximos desafios. A expectativa é ampliar o uso da tecnologia em novos segmentos, como obras rodoviárias e pavimentação, além de avançar em direção a níveis cada vez maiores de automação.
“Hoje, temos uma pessoa por máquina. Nosso esforço é para ter uma pessoa para cada três máquinas”, projeta Bechara.
Uma visão de futuro que demonstra que a jornada iniciada há poucos anos ainda está longe de chegar ao fim.